Quando me descobri uma mãe atípica / por Caren Souza

Quando me descobri uma mãe atípica / por Caren Souza

“Mamãe! Mamãããe! Mamãããããããeee!” Me pergunto que mãe nunca surtou com o filho que a chama assim a cada cinco minutos. Pois bem, durante muito tempo eu não surtei com as chamadas insistentes do meu filho mais novo, Vicente. E confesso que sonhei (e como!) com esse dia.

Logo que ele completou um ano de idade, eu já estava ansiosa para que dissesse “mamãe”. Mas, para minha tristeza, nem mãe, nem palavra nenhuma. Ele ainda não falava, e quase nunca me olhava quando era chamado. Ainda lembro dele com oito meses, me estendendo os bracinhos e dizendo “mã”, que era uma tentativa de dizer “mãe”. Mas essa felicidade durou pouco. Em seguida, Vicente parou de fazer isso.

Observa daqui, observa dali. Coloquei na escolinha para ver se começaria a falar. Nada. Com um ano e dez meses, consultamos com uma neuropediatra, e foi aí que me descobri uma mamãe atípica. Sim, meu filho é autista. O diagnóstico, com laudo e tudo, só veio seis meses depois, após passar por um semestre inteirinho de fonoterapia.

Mas naquele momento em que a médica levantou uma suspeita, eu e meu marido já sabíamos que Vicente tinha algo diferente. Ele não iria ter seis meses de investigação à toa. Não era para descobrir “se” ele tinha algo, mas “o que” ele tinha. 

Os primeiros dias foram de pânico total. Não tínhamos a menor ideia de como lidar com uma criança atípica e as dúvidas foram se multiplicando, assim como a ansiedade. Como será a educação dele? Será que vai aprender as coisas na escola? Será que vai obedecer em casa? Quando vai falar? Aliás, será que vai falar? Passado o susto inicial, o tempo de investigação com a fonoaudióloga foi o início do nosso aprendizado. Saber como falar com ele (devagar, com poucas palavras, em alto e bom som, abaixada na altura dele) e entender melhor o mundinho dele foi algo mágico. Aquela criança tão pequena, e ao mesmo tempo tão complexa, foi ficando mais fácil de lidar a cada dia que passava. 

Aquelas coisas que deixam as mães típicas de saco cheio (e com razão) podem fazer uma mãe atípica transbordar de alegria. A primeira vez que ele disse “mamãe” foi, para mim, como acertar a Mega Sena acumulada. Primeiro, eu tive a certeza que ele iria falar (porque alguns autistas nunca falam). E depois eu tive aquela sensação de afago, de amor correspondido. 

Hoje, Vicente está com 4 anos e já deu muitos saltos no desenvolvimento. Cada pequeno passo é uma grande conquista para toda a família. E sobre o sonho de surtar ouvindo “mamãããããe”? Ah, esse sonho eu já realizei. Surto bastante, pois ele me chama a todo momento. Mas isso dura pouco. Minutos depois, eu lembro que esse era o meu sonho, que eu rezei e lutei muito por isso. E ainda bem que esse dia chegou!

Aquelas coisas que deixam as mães típicas de saco cheio (e com razão) podem fazer uma mãe atípica transbordar de alegria. A primeira vez que ele disse “mamãe” foi, para mim, como acertar a Mega Sena acumulada. Primeiro, eu tive a certeza que ele iria falar (porque alguns autistas nunca falam). E depois eu tive aquela sensação de afago, de amor correspondido.

Hoje, Vicente está com 4 anos e já deu muitos saltos no desenvolvimento. Cada pequeno passo é uma grande conquista para toda a família. E sobre o sonho de surtar ouvindo “mamãããããe”? Ah, esse sonho eu já realizei. Surto bastante, pois ele me chama a todo momento. Mas isso dura pouco. Minutos depois, eu lembro que esse era o meu sonho, que eu rezei e lutei muito por isso. E ainda bem que esse dia chegou!

Caren Souza é mãe do Vicente, jornalista, criadora da Eco Spa Saboaria e futura psicopedagoga.

No episódio 5 da primeira temporada do podcast Roberta Comunica, a Caren relata toda sua trajetória de investigação do diagnóstico de autismo do Vicente.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *